Design Transformando o Mundo

Sempre acreditei que o Design tem o poder de transformar o mundo, tanto que tive uma escola de Design e hoje eu tenho uma escola online. Acredito que as ferramentas de design podem mudar nosso olhar e como encaramos os problemas.

User Experience é uma das ferramentas mais efetivas que o designer possui para desenvolver seu trabalho. Porém, muitas pessoas confundem a User Experience Digital e a User Experience nos métodos de Design de Serviço com Design Thinking. Quando falamos de experiência do usuário digital, ela pode ser alterada em uma hora, ou seja, se o seu usuário está tendo dificuldade em um menu ou em seu cadastro online, somos capazes de mudar essas experiência rapidamente . Essa é uma das razões, inclusive que faz com que  que o pessoal de UX, UI e Marketing Digital tenha tanto canvas de experiência de usuários e personas.

Já a Experiência do Usuário “off-line”, é diferente nos processos de produto (Design Thinking) e serviço (Service Design), pois não conseguimos mudar o comportamento do consumidor da noite para o dia. Nem conseguimos educar esse comportamento tão rápido. As ações neste caso, são lentas e gradativas, por isso que os próprios métodos de Design Thinking e de Serviços obedecem um ciclo continuo de pensar, fazer, avaliar e repensar.

Agora, você já pensou em utilizar o método de Design de Serviço ou Design Thinking como terapia e entender o que leva uma pessoa a fazer parte de um grupo de racismo extremo? Pois é, Jim Kalback pensou e o fez. (e o considero uma inspiração para todos os designers). Ele é o autor do Mapping Experiência, um livro que compila vários canvas para mapear usuários e desenvolver produtos e serviços. Esses canvas são inspirados em métodos que Kalback criou e outros que ele se inspirou.

Kalback é designer na empresa Mural, um site e software específico para quem utiliza os métodos de Design Thinking e Design de Serviço. O software funciona como um verdadeira prancha criativa análica. É um verdadeiro canvas de AI (Arquitetura da Informação). Kalback foi convidado, depois de lançar seu livro, para fazer parte de um projeto no qual ele ia mapear “os formers” (termo em inglês para os ex-integrantes de grupos raciais extremos).

Seu projeto aconteceu em Janeiro de 2016 entrevistando os ex-integrantes para entender melhor todo esse universo de racismo extremo. Coincidentemente, algo muito em alta aqui nos EUA e no mundo, depois das eleições americanas. Eu participei de seu workshop e ele nos apresentou detalhadamente seu projeto e todas as ferramentas e canvas utilizadas para esse lindo projeto.

Esse estudo terminou com um workshop de Design de Serviço para mapear o que levaria uma pessoa a participar de grupos extremistas como esses. Ele obedeceu todas as etapas de um bom projeto de Design de Derviço (área que tem mais experiência). Os resultados foram bem interessantes e todos os grupos: KKK, Nazis, Islamã, Alcaida etc… compartilham de um mesmo começo: a vitimização, mas isso muitas pesquisas já haviam detectado. Abaixo podemos verificar alguns dos resultados que não foram avistados por nenhuma outra pesquisa.

USER ASPIRATIONS - Foi a fase associada a empatia ou os estímulos que levam uma pessoa a participar de um grupo extremista. Foi detectado que a Empatia acontece através Radicalização. Essa faze compreende a busca de satisfazer o “self”, a vontade de “pertencer ou ser visto” por um determinado grupo social e muitos entrevistados descreveram experiências de bullying ocorrida quando criança.

USER CHALLENGES - Essa fase mediu a satisfação dessas pessoas dentro dos grupos extremistas e foi detectado um elemento interessantes que Kalback o chamou de “Disengagement”. Quando você está dentro do grupo, você começa a perceber que tudo aquilo não preenche o vazio que você sente. Muitos integrantes começam a questionar a função do grupo e ao mesmo tempo as ideias de “transformação social” impostas por esses grupos, começam a fugir da realidade. Muitos integrantes tentam sair desses grupos, procuram ajuda e outros simplesmente se matam, pois muitos grupos não permitem a desistência dos integrantes.

GUIDING PRINCIPLES - Aqui são alguns resultados de como combater ou ajudar as pessoas a lidarem com as diferenças raciais e culturais e não precisarem ter o apoio de grupos extremistas. Ações Sociais como palestras, eventos de socialização e apreciação cultural e desenvolvimento de livros testemunhais ( livros que contam experiência dos formers) foram alguns resultados e soluções pautadas neste projeto.

Entenderam por que eu AMO design?!

10+ anos de experiencia em marketing e branding com expertise em métodos como Design Thinking, UX, Personas Map, AI entre outras ferramentas estratégicas. Profissional criativo e versátil com experiência em implementar estratégias de marketing, design e conteúdo de branding para startups, media e high-growth empresas que apresentam atividades offline e online. Rodrigo já passou por empresas nacionais e internacionais, atendendo clientes como Netflix, Ross, South Bay Winery, Criar Sistema de Ensino de Lingua Portuguesa, Bio Soja, entre outros. Fundador da IESCD (Immaginare Escola de Criação e Design), hoje trabalha como free-lancer em Los Angeles, CA.

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