Good News by David LaChapelle

David Lachapelle é famoso não só por suas composições polêmicas mas por seu estilo que tem como assinatura: a cor.

A utilização de uma paleta de cores grande e saturada, faz seus trabalhos ficarem únicos e vivos. As fotos ficam reais e com muito movimento, sem falarmos na textura. Algumas parecem os quadros da época do alto realismo e outras seguindo um estilo de pop-art com matizes puras e vibrantes.

No domingo passado, ele estava lançando seu livro em Beverly Hills, California e nosso coordenador teve o prazer de ir e bater um rápido papo com ele.

Na conversa com LaChapelle, Rodrigo Gianello contou o quanto o trabalho dele inspirou e inspira nossos alunos e não deixou de ressaltar que utiliza suas obras nas aulas de processo de criação, cores e tendências. “Além de muito simpático, Lachapelle exala sensibilidade, quando falei que era brasileiro, ele logo me mostrou uma obra que fotografou no Rio de Janeiro na festa de Iemanjá e disse ainda que o Brasil tem uma cultura imensa e pouco explorada”, comenta nosso coordenador.

 

Vamos ao bate-papo?

Tria Prima: David como você acha que as pessoas percebem o seu trabalho?

LaChapelle: Acredito que cada grupo ou pessoa percebe de diferentes maneiras. O publico gay adora porque além dos trabalhos terem essas cores vibrantes, os temas são viscerais e contraditórios, algo que esse publico valoriza muito, por exemplo. Já os artistas mais conservadores gostam de obras em que as texturas e temas mais tradicionais são ressaltados.

Tria Prima: No Brasil, tivemos uma exposição LGBT, seguida de uma performance tendo como temática o nudismo e crianças e isso teve um impacto forte por lá, principalmente pelos mais conservadores. Em seu livro, vemos crianças nuas em meio de adultos nus, como que os americanos receberam isso?

LaChapelle: Eu faço arte comercial e também arte contemporânea, faço para as pessoas que conseguem ver o que vejo e para outras refletirem. O artista sempre é criticado pela técnica ou conceito utilizado. Toda criança que utilizei, foi com consentimento dos pais, inclusive eles foram fotografado também, junto com elas. Temos o conselho tutelar presente no dia da sessão fotográfica e muitas vezes tem um psicologo presente, caso o tema é muito pesado. No meu caso, eu uso as crianças mais como querubins, como aqueles anjos nus dos quadros barrocos, que ironicamente naquela época, os querubins eram inspirados em crianças quando desenhados. A arte é mais forte quando feita com respeito e ninguém pode atacar pois foi feito tudo dentro da lei e dentro do consentimento das pessoas envolvidas.

Tria Prima: Qual dos seus trabalhos te rendeu “mais controvérsia”?

LaChapelle: A Santa Ceia, por eu ter utilizado pessoas normais, incluindo uma drag. Eu tentei imaginar como que seria a Santa Ceia de hoje, ja que todos os discípulos tinham suas sinas e estavam seguindo Jesus para a busca da cura ou conhecimento espiritual. Tentei criar algo nos nossos dias e isso que me fez me destacar como artista, porém recebi criticas da igreja, de grupos conservadores mas isso não me fez desistir ou mudar meu estilo de ver e expressar o mundo e minha opinião.

No final, ele que nos perguntou…

LaChapelle: Como seus alunos veem o meu trabalho?

Tria Prima: Saturados, coloridos, impactantes, polêmicos e conceituais. Muitos alunos amam, outros ficam encima o muro pelos temas que você utiliza, e o pessoal que faz curso de direção de arte, amam os mais conceituais. Eles gostam da maneira como você pensa e cria a obra e alguns estão te mandando um abraço pois sabiam que eu viria aqui hoje.

E a conversa finalizou com um “oi Brazil”!!! Foi muito bom o encontro e troca essas informações com um dos maiores fotógrafos do nosso tempo. A gente consegue entender como que fazer arte é mais complexa e burocrática em alguns países.

 

Um pouco mais do livro Good News de David Carson.

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10+ anos de experiencia em marketing e branding com expertise em métodos como Design Thinking, UX, Personas Map, AI entre outras ferramentas estratégicas. Profissional criativo e versátil com experiência em implementar estratégias de marketing, design e conteúdo de branding para startups, media e high-growth empresas que apresentam atividades offline e online. Rodrigo já passou por empresas nacionais e internacionais, atendendo clientes como Netflix, Ross, South Bay Winery, Criar Sistema de Ensino de Lingua Portuguesa, Bio Soja, entre outros. Fundador da IESCD (Immaginare Escola de Criação e Design), hoje trabalha como free-lancer em Los Angeles, CA.

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