Independência ou Morte! – O Design da Independência

É sempre bom revermos o passado principalmente em tempos de comemoração. Sempre fui fascinado pela história do Brasil e era um dos primeiros alunos a querer pesquisar e ir mais fundo quando a professora passava alguma tarefa. Adorava ver as ilustrações, os quadros temáticos, as “histórias” escondidas em cada momento histórico. Eu era bem “nerd” na época aponto de saber os melhores amigos de Tiradentes 🙂 rsrsr e hoje de manhã me pego em uma crise criativa sem saber o que criar para comemorar a Independência do Brasil e postar na timeline da Tria Prima.

Revivendo um pouco minhas aulas de história do Brasil encontrei algo interessante para compartilhar. Pensei em colocar a foto do primeiro Design Brasileiro depois da Independência, mas não consegui achar nada relevante mesmo porque muitos produtos eram trazidos da Europa para o Brasil. Foi então que ví a nossa Bandeira e logo imaginei: será que as pessoas acreditam na “estórinha” poética do verde simbolizando nossas florestas e matas, o amarelo, nossas riquezas e o ouro e o azul, nossas límpidos céus e o branco, a paz? Decidi então escrever sobre o Design da nossa Bandeira.

Vamos começar entendendo as cores da nossa Bandeira. As cores da Bandeira foram tiradas  das cores do símbolo oficial da bandeira do Império pintada por Debret. Nosso verde é a cor símbolo da casa de Bragança, a de D. Pedro I. Já o amarelo refere-se a casa de Dona Leopoldina, arqui-duquesa da Áustria e imperatriz do Brasil, a Casa de Habsburgo.

 

 

Muitos vão detestar isso que irei falar, mas a primeira versão da bandeira após a Proclamação da República era inspirada na dos EUA. Rui Barbosa, após a proclamação da República, propôs uma bandeira para esse novo país. Na época a gente não tinha pesquisa de canários, benchmark e muitos menos google, então ele se inspirou (risos) plagiando a bandeira de uma das ex-colônias mais bem sucedida da época: os Estados Unidos. Ele esqueceu que as listras na bandeira americana representavam as Treze Colônias (risos). Esse modelo foi utilizado por apenas quatro dias, de 15 a 19 de novembro de 1889.

A bandeira desenhada por Barbosa serviu de base para muitas bandeiras estaduais como a de Goiás, Sergipe e Piauí.

Bandeira do Estado de Goiás

Bandeira do Estado de Sergipe

Bandeira do Estado do Piauí

Porém tivemos vários modelos de bandeiras nacionais, tanto que a bandeira do Estado de São Paulo, também foi um dos modelos propostos e buscava se distanciar dos símbolos imperiais.. Enquanto Rui Barbosa hasteava no Rio de Janeiro a sua bandeira, em São Paulo, o abolicionista Júlio Ribeiro mostrava outra no palácio do governo. A combinação tricolor rubro-alvinegra representaria a formação étnica dos povos fundadores do Brasil – os indígenas, europeus e africanos.

“… simboliza de modo perfeito a gênese do povo brasileiro, as três raças de que ela se compõe – branca, preta e vermelha. As quatro estrelas a rodear um globo, em que se vê o perfil geográfico do país, representam o Cruzeiro do Sul, a constelação indicadora da nossa latitude astral (…) Assim, pois, erga-se firme, palpite glorioso o Alvo-Negro Pendão do Cruzeiro!” Júlio Ribeiro

 

 

Não sendo a escolhida, essa bandeira tornou-se, de fato, símbolo paulista mas só foi oficializada em 1946 quando um decreto da Constituição Federal devolveu aos Estados e municípios o direito de cultivar símbolos próprios, que tinha sido suspenso, durante o Estado Novo, por Getúlio Vargas.

Quando Marechal Deodoro proclamou a República, sua ideia foi que a nova bandeira republicana fosse igual a bandeira imperial, com a eliminação da coroa imperial que ficava sobre o brasão de armas. Em 1892, o membro do parlamento, Oliveira Valadão apresentou a primeira proposta formal de mudança da bandeira para a república.

Já o modelo baixo, foi criado por Eurico de Góis e apresentado ao parlamento em 1908.

O modelo atual que conhecemos da nossa bandeira foi criado coletivamente por Raimundo Teixeira Mendes, Miguel Lemos e Manuel Pereira Reis. Eles projetaram a bandeira como a conhecemos hoje e nenhum deles era Designer (risos). O desenho da esfera celeste é do pintor Décio Villares e a inserção da constelação do Cruzeiro do Sul foi indicação de Benjamin Constant. “Ordem e Progresso” escrito na bandeira é um lema de inspiração positivista. No entanto, o lema completo, criado por Augusto Comte, é: “O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim”.

É proibido modificar as cores ou o lema da bandeira. Porém, dois projetos de lei, um no Senado e outro na Câmara tratam disso: o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) sugere retirar o lema “Ordem e Progresso” da bandeira até que o analfabetismo seja extinto no Brasil (PLS 137/2008). Já o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) propõe mudar o lema para “Amor, Ordem e Progresso” (PL 2.179/2003), tendo por base a inspiração positivista original.

O círculo azul na bandeira foi desenhado por Décio de forma a representar o céu carioca no momento da proclamação da República (precisamente às 8 horas e 30 minutos do dia 15 de Novembro de 1889). Essa imagem é a que teríamos se estivéssemos, no entanto, no espaço observando o globo celeste. Ou seja, na bandeira as constelações estão invertidas em relação ao que vemos aqui da Terra.

Apesar da inspiração, o desenho contraria alguns aspectos astronômicos. Por exemplo, a Spica, a única estrela desenhada acima da faixa branca, de acordo com Teixeira Mendes em sua Apreciação Filosófica, publicada em 24 de novembro de 1889 no Diário Oficial, essa estrela está no hemisfério norte para quebrar a monotonia no desenho já que ela não poderia estar acima da faixa por ser pertencente a uma constelação do hemisfério sul. No entanto, de acordo com ele, e priorizando uma liberdade estética, apenas uma pequena variação na inclinação do plano transporta a estrela para qualquer um dos hemisférios. Assim, ela foi representada junto a faixa e simboliza o estado do Pará, cuja capital Belém, era considerada a mais setentrional do país. Além disso, o tamanho e distância entre as estrelas foi desenhado de forma a criar maior harmonia e não é uma fiel representação astronômica. Sabemos que a bandeira atual tem mais Estralas pois outros Estados foram incorporados depois da Proclamação.

Agora você já sabe todo o Drama da criação da nossa bandeira (risos), nada muito longe da realidade de um projeto de design hoje em dia.

Fontes:

http://designculture.com.br/bandeira_do_brasil

http://www.unesp.br/aci/jornal/212/bandeira.php

http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=84687

http://pt.wikipedia.org/wiki/Evolu%C3%A7%C3%A3o_da_bandeira_do_Brasil#endnote_1

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_do_Brasil

 

 

10+ anos de experiencia em marketing e branding com expertise em métodos como Design Thinking, UX, Personas Map, AI entre outras ferramentas estratégicas. Profissional criativo e versátil com experiência em implementar estratégias de marketing, design e conteúdo de branding para startups, media e high-growth empresas que apresentam atividades offline e online. Rodrigo já passou por empresas nacionais e internacionais, atendendo clientes como Netflix, Ross, South Bay Winery, Criar Sistema de Ensino de Lingua Portuguesa, Bio Soja, entre outros. Fundador da IESCD (Immaginare Escola de Criação e Design), hoje trabalha como free-lancer em Los Angeles, CA.

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