Painéis Semânticos, Mood Board, Pesquisa Criativa, Prancha Criativa ou Painel de Inspiração?

Existem várias nomenclaturas no design para definir um único nome. A palavra layout, por exemplo, pode significar uma prova de como a criação ficou, uma estruturação de ideia, ou um projeto pronto esperando para ser aprovado e finalizado. Ainda layout pode se referir ao arquivo aberto ou fechado, a planta de um ambiente, o rascunho de um projeto de design editorial e por ai vai…
Existem palavras que se aplicadas de maneira errada podem causar confusão para alguns designers, principalmente os designers gringos. Nós, brasileiros, nos apropriamos de termos que muitas vezes achamos bonitos e utilizamos os mesmos dentro de um outro contexto em nosso projeto. Um exemplo é a famosa Mood Board que muitos alunos e profissionais a utiliza para se referir à painéis semânticos ou pranchas criativas, porém o real significado de Mood Board é uma prancha de empatia que mapeia o estilo do usuário de determinada tendência.
Vamos desmistificar esses termos e suas definições?

Painéis Semânticos.

O termo data dos anos 30 e navega entre as escolas de Bauhaus e ULM. Esses painéis eram usados especificamente para um mapeamento de ideias com referências já existentes no mercado. Eram feitos com imagens de publicações, revistas e jornais, o que era bem difícil, pois naquela época não tinha Google. Muitos designers quando viajavam para fora do país faziam alguns investimentos comprando revistas e publicações locais para entenderem o estilo daquela região ou cultura. Esses materiais acabavam servindo para a montagem destes painéis.
A palavra Semântica, neste caso, vem de uma linha histórica que era obedecida e construída com essas imagens. Portanto, a categorização dessa pesquisa geralmente era feita através de uma linha do tempo e eram colocadas apenas as referências relevantes para o projeto. Por exemplo, se você tinha que criar um vaso, seu painel semântico mapearia os diferentes vasos, formas, estruturas e datas. A partir desse mapeamento e dessas “inspirações”, você criava o seu vaso.

Mood Board

Com o avanço do Design, o Mood Board entra em cena principalmente na década de 80 e é estruturado pela indústria fashion. É importante entender que a Chanel já utilizava a Mood Board em suas concepções de coleções. Quando a tendência ganhou seu “espaço” de estudo, por volta dos anos 80, a indústria fashion entendeu que era preciso entrar no mundo do usuário da coleção e eles começaram a mapear o temperamento do grupo de usuários através dos hábitos de consumo. Então, a Mood Board era criada colocando essas preferências de consumo do grupo ( ou pessoa ), estilo, desejos, sonhos e por ai vai… A Mood Board foi um das inspirações para os primeiros métodos de Empatia criado pelo Design Thinking e UX. Mas ainda hoje ela se mantém como ferramenta de “mood-fashion” e não criativa, ferramenta para entender a próxima etapa de um produto, coleção ou apenas para medir a preferência do usuário. Ela se difere da prancha de empatia pois não é colocado os pain points do usuário.

Pesquisa Criativa

A pesquisa criativa envolve mercado, cenário, tendência, entrevistas, prototipagem e todas as ferramentas criativas que irão nos ajudar a resolver um problema ou criar algo “NOVO”. Tudo isso é organizado em um grande painel e NECESSARIAMENTE precisa ter essa ressonância e integridade com todos esses métodos citados.

Prancha Criativa

A tradução foi adotada por mim quando fundei minha primeira escola de Design. Pode soar um pouco arrogante, mas comecei a perceber que os alunos se sentiam um pouco desconfortável em dizer “Creative Board”. Muitos falavam “bird” ao invés de “board” e como os métodos e conteúdos da escola começaram a agradar e ser relevantes no mercado local, decidi traduzi-lo para Pranchas Criativas.
Os gringos vão falar Creative Board que tem como mãe ou pai os painéis Semânticos. Atualmente os Creative Boards substituíram os painéis semânticos por dois motivos: método de utilização e adequação de área.
O método de utilização mudou um pouco, e hoje os Creative Boards agregam informações muito relevantes de forma, cores, tendências, imagens, textos, e vários boards que são chamados de Divergent Board. O objetivo é divergir o pensamento e analisar esses boards seguindo as leis de composição e métodos visuais como o da gestalt. O segundo passo é o Convergent Board, uma prancha que chamamos de seleção onde é colocado referências que estão nos Boards Divergentes mas já pensando que vamos  selecionar levando em consideração as leis e métodos visuais e suas aplicações dentro do projeto que estamos desenvolvendo.

Ok, eu sei que ficou complicado mas nosso cérebro faz isso com muita rapidez quando praticamos os métodos. Quando sabemos das leis visuais, nos já selecionamos as imagens para os Boards Divergentes com um critério mais apurado, o que faz toda a diferença para um projeto. Esse foi um dos motivos que os Painéis Semânticos deixaram de ser usados em projetos de design gráfico, produto ou interiores.
O segundo motivo pelo qual os painéis semânticos deixaram de ser utilizados foi pela cronologia que era obedecida. Os painéis, neste caso, não morreram ou foram substituídos pois foram adotados pela indústria do cinema, animação e games para ajudar na produção de seus projetos. Toda produção áudio-visual, independente do estilo ou arte, obedece uma cronologia criativa e foi neste cenário que os painéis semânticos se encaixaram. Então, para desenhar um figurino de um filme, ou para desenhar um personagem de animação, obedecemos uma cronologia criativa e de inspiração que é feita pelas pranchas semânticas.

Painel de Inspiração

Por fim o Painel de Inspiração, conhecido como Inspiration Track, Inspiration Sheet, Inspiration Board… Uma prancha ou painel que vai conter APENAS inovação, ideias legais, loucas mas sem nenhum laço “afetivo” com o projeto. É um painel, que hoje construímos no Pinterest que pode nos servir para pesquisas futuras. Às  vezes, não tem muita relevância no projeto, mas na minha experiência, eu já puxei várias soluções desses painéis.
Vejo vocês no próximo artigo.
10+ anos de experiencia em marketing e branding com expertise em métodos como Design Thinking, UX, Personas Map, AI entre outras ferramentas estratégicas. Profissional criativo e versátil com experiência em implementar estratégias de marketing, design e conteúdo de branding para startups, media e high-growth empresas que apresentam atividades offline e online. Rodrigo já passou por empresas nacionais e internacionais, atendendo clientes como Netflix, Ross, South Bay Winery, Criar Sistema de Ensino de Lingua Portuguesa, Bio Soja, entre outros. Fundador da IESCD (Immaginare Escola de Criação e Design), hoje trabalha como free-lancer em Los Angeles, CA.

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