Urban Design

É normal nos designers ou arquitetos e urbanistas perguntarmos: para onde estamos indo? Qual o futuro do design e da arquitetura? Qual o real impacto que essas áreas podem ter no Urbanismo? Por outro lado, urbanistas veem o design e a arquitetura como ferramentas estéticas para melhorar a planta de uma cidade.

Para entendemos melhor essa relação e as mudanças que estão por vir, temos primeiro que entender o objetivo de cada área. A Arquitetura trabalha com o princípio dos 3 “F”: Função – é o objetivo de prover uma cobertura ou proteção. Esse conceito é o da construção, da casa, do edifício, etc. Forma – a arte da apreciação através da beleza. Não é apenas algo para nos dar proteção, mas algo que é bonito de se ver, interagir e conectar. O último “F” é Firmeza, relacionada a estabilidade e estrutura.

Já o design trabalha com a relação de Forma e Função mas obedece o principio Simbólico, Estético e Prático. Qualquer projeto de design tem que respeitar esses conceitos pois são eles que vão conectar o projeto com o usuário. Portanto, o projeto desenhado pelo designer precisa ter um significado e uma estória. Precisa ser atrativo para que o usuário tenha o desejo de interagir e ter. E é claro que esse projeto tem que ter praticidade para que o usuário volte a utilizar e crie uma relação dependente com o objeto ou ambiente projetado.

O Urbanismo seria a junção de algumas habilidades do design e algumas ferramentas da arquitetura. O Urbanismo segue o principio de dois elementos: Layout e Necessidade. Essa relação funciona da seguinte maneira. Layout vem das projeções que a Arquitetura pode oferecer para esses profissionais. A maneira como a ruas podem ser projetadas, a maneira como um bairro pode nascer ou a forma como o layout de uma região pode ser criado.

A necessidade é derivada do princípio de empatia que o design oferece quando projetamos algo. É a necessidade que vai capitar de maneira simbólica e prática os inputs da comunidade e a maneira de projetar uma região ou bairro que no futuro criará uma economia cíclica, o que vai deixar essa região independente de outras.

 

O Renascimento

O período da história mais importante que encontramos a junção dessas áreas é o Renascimento.  Como todos sabemos é neste movimento que o homem olha para dentro de sí. É o surgimento do Egocentrismo e o avanço tecnológico acontece em todas as áreas da humanidade, da matemática a arte, da física aos ritos religiosos.

Naquela época não adiantava apenas projetar uma catedral, os arquitetos e engenheiros da época tinham que pensar na extensão dessa catedral, como as pessoas iriam se organizar com esse novo objeto dentro da comunidade e qual seria a interação. Esse detalhe era atribuída para os paisagistas ou pequenos atrações (designers) que projetavam a extensão da catedral em questão.

 

As extensões seriam a praça ou parque que estariam circundando a catedral. Eram também os jardins, pequenas lojas e os “pavimentos” (estradas/caminhos) que haveriam ao redor do prédio principal. Esse planejamento era feito em cima do prédio central que estava sendo construído, assim os projetistas conseguiam ver como que o layout da cidade poderia ser organizado.

É interessante notarmos que a maioria das cidades Européias são organizadas dessa maneira. Temos os prédios mais altos como a referecia do layout da cidade que na maioria das vezes eram feitos por blocos ou quadrados, por isso as palavras block, square, quarteirão, esquina, corner, luogo, quartieri, blocco entre outras…

Na década de 50, começamos a observar um desequilíbrio nessa tradição renascentista, principalmente nos grandes centros. As cidades ficaram cheias e começamos a ter novos bairros e subúrbios crescendo ao lado delas. Esse processo originou layouts não organizados ou layouts que eram organizados mas isolavam o centro da cidade e a habilidade das pessoas acessarem lugares que preenchiam suas necessidades.

Era muito comum nos Estados Unidos o subúrbio de Los Angeles por exemplo ter apenas casas e nenhum supermercado ou parque de recreação. As pessoas tinham que pegar o carro aos finais de semana para fazer qualquer que fosse a atividade. Com o tempo, esse tipo de layout foi acabando e os Urbanistas começaram a limpar algumas áreas para que lojas, praças e supermercados pudessem ser construídos nessas áreas.

 

Urban Design

 

Espaço Recreativo e Esportivo da China. Projeto para 2020.

Mas por que toda essa história? Ou o que está por vir dentro do urbanismo, Design e Arquitetura? Toda essa evolução das cidades e da humanidade fez com que nascesse o que chamamos de Urban Design. Uma tendência que começou no Leste e Norte Europeu, se espalhou em alguns lugares do mediterrâneo, principalmente na Turquia e vizinhos.

Mas o que seria o Urban Design? É a arte de fazer lugares para as pessoas, ou a arte de planejar layouts urbanos pegando como ponto de partida as necessidades das pessoas. O princípio do Urban Design é a interação entre ambiente e usuário (Environment x Human) e envolve projetos como quarteirões, praças, jardins, centros comunitários, centros esportivos entre outros espaços.

Porém, diferente do arquiteto, design ou urbanista, o Urban Design vai misturar arte, estímulos visuais, formas sensíveis e tendências como ambientais para compor seus projetos. Podemos falar em outras palavras que eles vão misturar o que há de mais inteligente da arquitetura, o que é mais sensível do design e o que há de mais matemático do urbanista resultando em uma verdadeira obra de arte.

 

 

Projeto de urban Design para revitalização central da cidade de Seattle.

As paisagens urbanas ficam diferentes quando utilizamos conceitos do Urban Design, os projetos são mais sustentáveis, sem a circulação de carros, dando preferencia para coberturas “verdes” e não feitas de concreto. Podemos perceber que o layout é organizado para atender funcionalidades de pedestres, usuários e moradores da região projetada.

O projeto abaixo (Floresta/Parque) é um exemplo muito prático de arquitetura ( no prédio ), de design ( as formas dos prédios, pavimentos )  e o Urban Design projetando as extensões deste parque. Este projeto é uma proposta de um bairro novo em Oslo, Noruega.

Projeto vertical de Floresta/Parque.

 

10+ anos de experiencia em marketing e branding com expertise em métodos como Design Thinking, UX, Personas Map, AI entre outras ferramentas estratégicas. Profissional criativo e versátil com experiência em implementar estratégias de marketing, design e conteúdo de branding para startups, media e high-growth empresas que apresentam atividades offline e online. Rodrigo já passou por empresas nacionais e internacionais, atendendo clientes como Netflix, Ross, South Bay Winery, Criar Sistema de Ensino de Lingua Portuguesa, Bio Soja, entre outros. Fundador da IESCD (Immaginare Escola de Criação e Design), hoje trabalha como free-lancer em Los Angeles, CA.

Deixe uma resposta